segunda-feira, 19 de setembro de 2011

PCC: DESAFIO DAS AUTORIDADES POTIGUARES


Rebeliões simultâneas nos presídios estaduais de Nísia Floresta e Parnamirim, ônibus assaltados e incendiados. Esse foi o cenário da semana que passou, revelando o grave problema que será enfrentado a partir de agora pelas forças que compõem a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social do Rio Grande do Norte. O grande desafio é: como combater o crescimento do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que aterrorizou o Estado de São Paulo e se espalhou no Brasil.

As histórias sobre a presença de membros do Primeiro Comando da Capital nas unidades prisionais do Rio Grande do Norte são antigas. Há anos que se fala na presença de pessoas ligadas à facção paulista, mas a grande demonstração veio mesmo na semana passada. Na quarta-feira passada, 14, internos dos presídios estaduais de Nísia Floresta e Parnamirim se rebelaram, usando presos como refém. Os dois motins foram controlados. Nas inscrições feitas nas paredes das duas unidades prisionais, siglas que remetiam ao PCC foram deixadas para todos verem, uma amostra da sua influência.

Até então, indícios mais simples vinham aparecendo durante revistas feitas nas unidades prisionais potiguares. Cadernetas com mandamentos da organização criminosa e outros elementos levantavam as suspeitas da atuação do grupo nas prisões potiguares. Em Mossoró, por exemplo, uma caderneta com os mandamentos do Primeiro Comando da Capital foi apreendida em junho de 2010, durante uma revista. A direção da unidade, à época, informou que seria investigado pela Polícia Civil. Até hoje não existe uma confirmação concreta quanto à atuação da organização naquela prisão.

A demonstração mais explícita aconteceu na sexta-feira passada, quando cinco ônibus e uma van foram assaltados e por pouco não foram queimados. Os bandidos chegaram a tocar fogo nos bancos e colocar garrafas com combustíveis no interior dos veículos, mas as chamas não se alastraram. Os ataques aconteceram em Natal e Região Metropolitana, todos durante a tarde de sexta-feira passada. Além dos ônibus e da van, um prédio também foi incendiado. Ações como essas, comuns na região Sudeste do Brasil, não tinham sido registradas no Rio Grande do Norte, por isso o temor é maior.

As primeiras medidas para tentar reverter o quadro foram tomadas ainda na sexta-feira, quando pessoas suspeitas de envolvimento com os ataques foram presas e autuadas em flagrante. A partir dessas prisões, as forças policiais do Rio Grande do Norte mostraram-se esperançosas quanto à prisão dos mentores dos ataques. Até então, o caso estava sendo tratado pela Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (SESED) como "atos isolados de vandalismo". Polícia Federal, Rodoviária Federal, Militar, Civil e outros órgãos estão atuando conjuntamente nessas investigações.
Fonte: Jornal de Fato

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